quinta-feira, 2 de setembro de 2010

dircurso da favela

hoje recebi no meu email a transcrição de uma reportagem do Arq!bacana sobre um jovem e promissor arquiteto dinamarquês, que falou sobre as favelas do Rio. Resolvi colocar por aqui também, já que estou com uns pensamentos bem sociais ultimamente... sociais ou seriam socialistas?  bom... as colocações dele pordem até ser bem intessantes, porém, eu ainda sou da opinião de que favela, favela mesmo, só se conhece e sabe o que é, quem precisa viver lá... essa coisa de passar uma ou duas noites e pronto (e diga-se com o todo o respaudo principalmente financeiro) é muito bacana, pra não dizer romântico, mas vamos ver né... quem sabe eu não errada... e que ele é um bom arquiteto, isso é fato.

Aí vai a reportagem:

"No dia 30 de agosto, o site da revista norte-americana Fast Company divulgou uma entrevista com o arq dinamarquês Bjarke Ingels, chefe do escritório Bjarke Ingels Group que, aos 36 anos, já é uma figura em evidência no cenário da arquitetura internacional.
Na entrevista, feita por Cfiff Kuang, que é também editor do site Co.Design, Ingels conta que visitou o Rio de Janeiro recentemente e se hospedou em uma favela de 2 mil habitantes, vista por ele como “um modelo desejável de planejamento da cidade”. O arquiteto conta que anda refletindo sobre soluções que possam curar a maldição das cidades-sede dos Jogos Olímpicos, onde os investimentos são desperdiçados em edifícios que acabam vazios e sem uso.
Ingels, que começou a carreira trabalhando no OMA, escritório do arq holandês Rem Koolhaas, é autor de projetos como o Pavilhão Dinamarquês da Expo Xangai 2010, “The 8 House” e a sede administrativa da prefeitura de Talim.
Atualmente, ele cuida do projeto da Biblioteca Nacional de Astana, que está sendo concebida para Nursultan Nazarbayev, presidente do Cazaquistão, e de uma torre residencial em Nova York, cidade onde está abrindo uma filial do seu escritório. Além disso, Ingels começou a dar aulas de arquitetura na Faculdade de Desenho de Harvard, em Boston.

Leia trechos da entrevista:

O que você vai ensinar em Boston?
Ingels: De 2014 a 2016, o Rio de Janeiro vai sediar a Copa do Mundo e as Olimpíadas. Então nós estaremos procurando por maneiras de transformar o investimento em algo que o Brasil possa se beneficiar em longo prazo. Isso porque, geralmente, as Olimpíadas têm um impacto traumático na cidade-sede: geram “construções-bolhas” que depois dos jogos se tornam espaços vazios para sempre. O engraçado é que quando concordei em dar esta aula, a revista “The Economist” trazia na capa a famosa estátua do Cristo Redentor com foguetes, com a manchete: “Brazil Takes Off.” A economia se tornou uma locomotiva impressionante para a América do Sul, apesar do Rio ter desafios sociais tremendos. Queríamos ver se poderíamos solucionar isso com os investimentos voltados para as Olimpíadas.

Estas soluções poderiam funcionar?
Ingels: Eu e minha namorada fomos de férias ao Rio, e ficamos numa favela pequena de 2 mil habitantes. A razão de termos escolhido lá, ao invés de um hotel famoso, é que há uma década atrás a SWAT levou sua sede para lá. Ter 600 homens armados tomando café todas as manhãs, de repente, colocaria as coisas em ordem (sic). Mas o que eu notei é que as favelas, com suas ruas espirais, edifícios aninhados e um labirinto de lojas apertadas, têm um tipo de arquitetura que é compartilhada pelas partes mais ricas da Itália, como ao longo da Costa Amalfitana. A única diferença é que a Itália tem pintura branca e o encanamento é melhor. Então, na realidade, as favelas são um modelo desejável de planejamento da cidade. Poderíamos encontrar maneiras de criar algum tipo de gentrificação onde habitantes novos e velhos coabitassem a área, ao invés de apagar vizinhanças. Isso não seria somente filantropia, mas também um investimento sadio.

O governo brasileiro está levando este tipo de questões seriamente?
Ingels: Bem, eles vão contratar somente arquitetos locais para o trabalho, mas nós queremos apresentar os resultados do nosso trabalho para as autoridades locais na forma de um jornal ou revista.

Conte-nos mais sobre em que você está trabalhando em Manhattan.
 Ingels: Infelizmente, não posso contar (risos). Mas, para o edifício de apartamentos que estamos projetando, estamos tentando introduzir um novo híbrido que combina o clássico arranha-céu de Nova York com o tradicional bloco europeu, com um pátio no meio."

A entrevista completa aqui.