segunda-feira, 23 de agosto de 2010

urbanismo e urbanidade

Em tempo... da cabeça ainda quente com tantas inquietações, vi esta matéria bastante pertinente...

Em termos urbanísticos esta cidade deixa muito a desejar. Cresceu como crescem as moças por estes Brasis a fora. Livre, ao natural, sem muito luxo, obedecendo somente as ânsias naturais de uma adolescente que quer apenas viver. Nada mais.

Nossas ruas obedecem ao acaso. Nossas praças – alguma até já desapareceram absorvidas pelo crescimento desordenado e ao sabor das circunstâncias do momento histórico – são poucas e mal distribuídas. O desenvolvimento urbano, quando não foi feito através de loteamentos, numerosos e esparsos, e sem obedecer aos que já existiam em seus costados, deu-se na maioria das vezes através de invasões. E aí então o planejamento urbanístico sofreu toda sorte de agressões e desrespeitos. E para piorar o quadro, temos uma BR que divide a cidade em duas, tornando-se esta a única via expressa para o tráfego de veículos locais e pesados de longo curso. Mas tudo bem. A cidade cresce que cresce. E lá um belo dia há de chegar uma administração para tirar o tráfego de longo curso do centro e dar uma nova dinâmica no plano urbanístico. Isto será possível.

Entretanto, o mais difícil de consertar não é o plano urbanístico da cidade, mas consertar o espírito de urbanidade de nossa população. Fazer ver, por exemplo, que o direito de cada um vai até aonde o direito do próximo não seja violentado e desrespeitado. Sob qualquer prisma que se focalize veremos que as pessoas, cada uma por sua vez, se acha com o direito de fazer o que bem entende, sem se importar se está a prejudicar ao próximo ou à comunidade. Só para exemplificar: o sujeito estaciona seu carro num bar, escancara a tampa traseira da viatura e despeja cargas de decibéis sem perguntar se o vizinho de frente está incomodado com isso. O marmanjo que está em uma festa de largo, após tomar a cerveja joga a latinha vazia em qualquer parte. O pasteleiro não tem o mínimo de escrúpulo em instalar seu caldeirão de azeite fervente no meio da rua, sem se preocupar com a higiene, nem com a segurança dos transeuntes que por ali passam. O comerciante faz das calçadas sua vitrines de exposição, sem perguntar ao pedestre se ele se conforma em andar pela rua disputando espaço com os carros. E por falar em carros, há motoristas que, além de não respeitarem a sinalização do trânsito, estacionam de bico nas esquinas ou em cima das calçadas, ou na contramão, com a maior desfaçatez.

Pois são estes, em linhas gerais, os problemas que depõem contra a urbanidade de nossa população. E, este sim, é um problema de difícil solução, pois trata-se de um problema cultural.

sobre concursos de arquitetura e outras reflexões

então... acompanhando os últimos acontecimentos no mundo dos concursos de projeto eu andei pensando sobre a importância desses concursos, o que leva arquitetos a participar deste tipo de atividade e suas motivações. 
Vejo em muitos comentários, as pessoas reclamando dos valores oferecidos como prêmio e fiquei a me perguntar se é somente o valor monetário que importa? Sim... claro que a remuneração é importante sim, princpalmente quando se trata de manter uma estrutura, por mínima que seja, necessária para um escritório de arquitetura. Mas ao meu ver, os concursos são muito mais do que remuneração, ou mesmo alternativas aos mais jovens de "entrar no mercado" como alegam alguns...
Acho que concursos são excelentes oportunidades para se discutir sobre a produção da arquitetura, sobre o que insiste em persistir, sobre os novos paradigmas, sobre as pespectivas que as mudanças tecnológicas nos tem proporcionado, sobre a identidade e a falta dela em "muitas arquiteturas", a cultura arquitetônica pelo mundo, o que é pertinente ou não, enfim... passaria uma noite aqui citando motivos para discussão que acho que um concurso pode trazer de positivo.
Já falei aqui também sobre a minha indignação com a falta de participação, de reação, essa inércia e apatia que absorve, que ofusca e apaga completamente grande parcela de profissionais do país, resumindo a produção brasileiras a determinadas escolas e regiões apenas, não representando fielmente toda a diversidade existente no Brasil.
Como já falei também, não sou contra esses parcela que hoje "tem feito por onde"... o que eu acho ruim, é que a crítica tem quase que desaparecido das escolas de arquitetura, principalmente das baianas, digo essas com propriedade pois são as que conheço de perto, tanto por estudar como por conhecer quem estude também... somos "criados" para atender as demandas no nosso mercado (turístico e de exploração que incentivam os meninos a pensar apenas em shoppings, megacentros, em risorts, ecorisorts, e sabelámaisoquê risorts, etc, para atender essa demanda) enquanto isso, existe um caos, um colapso iminente em nossa capital (da Bahia), onde em muito pouco tempo já não conseguiremos mais sair do lugar devido à quantidade de veículos nas ruas, e esse é só um exemplo, tem a questão social da moradia, tem a questão da falta dela e da qualidade questionável das poucas que são feitas, tem a problemática da qualidade dos espaços públicos, a privatização deles, enfm, a própria produção deveria ser posta a prova e mais uma lista poderia ser feita aqui ainda esta noite, mas não, ao invés disso estamos muito mais interessados em pontuar no ND, em aparecer nas newsletters das colunas socialites dos coquitéis socialites das empresas socialites que vendem etiquetas socialites e que dão pontos, e carros, e viagens e glamour e status no fim de cada mês.
Isso me inquieta muito, e muito mais pois eu mesma nada tenho feito para, pelo menos espalhar essa minha inquietude, essa minha sensação de que algo está errado, de que algo está faltando ser feito, mesmo ciente de ser uma força bem menor, mas não muda e não vencida diante deste quadro. Bom, em princípio talvez apenas este blog, este post, este manifesto de insatisfação, assim pequeno... mas assim também se começam grandes revoluções.
Sei que existem também muitos outros insatisfeitos com esse quadro assim como eu, que tem lutado por mudanças, e eu não poderia jamais ser injusta com esses também... mas é isso, e finalizo voltando meus pensamentos novamente sobre os concurso e de que maneira posso eu, pequena força inquieta, transformá-los, pelo menos dentro de minhas  pespectivas, em instrumentos de reflexão, de renovação na maneira de ver, pensar e de fazer arquitetura.

domingo, 22 de agosto de 2010

Crea-Pb - 3º lugar [retificando!!!]


Pespectiva do 3º colocado do concurso para a sede do Crea de Campina Grande - Paraíba, projeto de Maximiliano Beck (responsável), Cauê Duarte Costa e Guilherme Ferreira Nogueira, que são de Porto Alegre (nossa, paguei um mico dizendo que eles eram da Paraíba, na verdade o segundo lugar que era do pessoal de Pb e acabei me confundindo, mas enfim... mal entendido esclarecido... rsrs). Gostei muito desta solução apesar de anda preferir a do vencedor do concurso, porém, achei o memorial deles  muito mais explicadinho... mas enfim, pra quem quiser conferir as outras imagens e o memorial deles, aqui.

Cauê, obrigado pela informação, desculpa mesmo o equívico, na pressa de postar antes de dormir, acabei trocando as informações, e parabéns pelo belo trabalho!!!