quarta-feira, 24 de junho de 2009

Memorial do Holocausto em Salvador

Descobri, em mais um de meus sasaricos na net esse projeto, me chamou a atenção pois era aqui em Salvador e eu nunca tinha ouvido falar. Trata-se do Memorial do Holocausto, que fica localizado no Cemitério Judeu, na Baixa de Quintas, e é projeto de Sergio Kopinski Ekerman. O cemitério é pequeno, cerca de 5.600m² e existe a 80 anos. Em 2006 foi feito um estudo para ampliação do cemitério e dentro deste programa foi incorporado também um Memorial do Holocausto que além de criar um marco para a nova ampliação, serviria também como espaço para orações e marco cultural judáico na cidade.
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Vista da fachada frontal do Memorial
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A parede principal está orientada para Jerusalém, absorvendo uma tradição trazida da sinagoga. Suas formas são inspiradas a partir da palavra "chai" - "vida" em hebraico, compreensão de que a memória daqueles que tinham ido e aqueles que sobreviveram é feito de seu legado e os seus atos em vida. A partir deste ponto, o projeto visa criar um espaço formado por luz e sombra, utilizando concreto aparente, aspero e imperfeito, o que sugere a amargura da experiência vivida por aqueles que morreram ou sobreviveram ao Holocausto...
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Vista interior do Memorial
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Maquete volumétrica do Memorial
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O volume principal é um cubo medindo 4 x 4 metros, parcialmente fechada por três lados e aberta para o cemitério na fachada oeste, através de um pórtico que enfatiza a relação entre forma e símbolo. Ela é coberta por uma laje de perfil curvo, simbolizando um gesto ascendênte em busca do sagrado. Em seu interior, o espaço é caracterizado por um banco de concreto aparente e uma caixa de aço com uma vela acesa permanentemente, mais uma representação da cultura judáica.
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Detalhe da caixa onde fica a vela permanentemente acesa, simbolizando a ligação entre Deus e os judeus
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O objetivo era criar um espaço que tenha uma relação controlada entre exterior e interior, permitindo ao visitante a isolar-se para um momento de meditação, porém integrado a natureza existente no local. A utilização do sistema similar aos brises, que permitem uma ventilação constante, artifício importante para lidar com o clima quente da cidade.
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Segunda construção de seu tipo no Brasil, o memorial ao Holocausto, em Salvador é judeu, nascido a partir de valores, tentando traduzir na criação arquitetônica as expectativas de recuperação da comunidade e da religião propriamente dita. Carregada de simbolismo e memória, esta obra é um convite a reflexão sobre a paz, a tolerância, e a que futuro esperamos.

Referências Parte III - Ópera de Oslo

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Ópera de Oslo na Noruega com projeto do grupo Snohetta (virei fã). Achei o que eu quero!! O programa é completamente diferente, mas essa onda que sai da terra e invade o mar, meio praça, meio cobertura, meio obra de arte na rua... é isso!! Pessoas sasaricando aqui e ali, tudo em cima... muito bom.
O site deles também é fantástico... tô em crise, quero fazer espaço público... ai... vamos que vamos, sorte a quem passar por aqui, ah, aproveita e passa no Snohetta também, vale a pena...

domingo, 21 de junho de 2009

Por quê inclusão digital?

Um panorama da inclusão digital na Brasil.
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Um dos grandes desafios enfrentados pela sociedade neste início de século XXI está relacionado com a questão da inclusão digital, visto que a falta de acesso de milhões de pessoas em todo o mundo às Tecnologias Digitais de Informação e comunicação (TIC’s), tem se tornado a nova face da desigualdade social.

O acesso cotidiano às TIC’s é cada vez mais requisito indispensável à participação social, atividade econômica e fortalecimento da cidadania, contribuindo desta forma para o combate a estratificação social.

Em 2005, a Pesquisa Nacional por Amostra dos Domicílios investigou, como tema suplementar, o acesso e o uso de internet, incluindo o uso de governo e comércio eletrônico, segurança, educação e barreiras de acesso, resultante de convênio entre o IBGE e o Comitê Gestor da Internet no Brasil - CGI.br, objetivando ampliar o conhecimento sobre a utilização das tecnologias da informação e das comunicações no País. Os dados da pesquisa de TIC Domicílios reforçam que o acesso e uso do computador e da internet no país depende unicamente do nível socioeconômico do indivíduo, sua renda familiar, e a região onde vive.

No Brasil, apenas cerca de 10% população possui acesso à internet, sendo 90 % dos usuários pertencentes às classes A e B.

Com relação ao uso do computador, a pesquisa mostra que 55% da população brasileira nunca utilizou computador, 16,6% da população brasileira possui um computador em casa e que 13,8% da população brasileira usa computador diariamente.

Quanto ao uso da internet, a pesquisa aponta que 68% da população brasileira nunca utilizou a internet, 24% da população brasileira utilizou nos últimos três meses e apenas 9,6% da população brasileira usa a internet diariamente.

Aqueles que têm habilidades com computadores e internet na população brasileira adquiriram tais habilidades das seguintes formas:

· Em escola de informática: 17,83%
· Por conta própria, aprendeu usando: 13,06%
· Com parentes, amigos e colegas no trabalho: 11,27%
· Em uma instituição formal de ensino: 8,85%
· Em cursos de treinamento pelo governo: 2,19%

Também nesta pesquisa constatou-se que a Bahia ficou em 20º lugar no acesso à Internet, com um índice de 12,9%, e está tecnicamente empatado com Ceará e Rio Grande do Norte.

Entre as capitais, Salvador ficou em 6º lugar, com um índice de 26,3%. A capital brasileira onde as pessoas mais acessam a internet é Curitiba, com um percentual de 34,8% de acessos.
O quadro indica que a inclusão digital deve ser tratada como política pública, de caráter universal, esta entendida como atividade assumida pela sociedade de maneira participativa a fim de proporcionar o acesso aos equipamentos, linguagens, tecnologias e habilidades necessárias para usufruir das tecnologias de informação e comunicação.

Atualmente o governo tem financiado e incentivado diversos programas de inclusão digital, envolvendo diversos ministérios, empresas públicas, órgãos colegiados, fundações e autarquias, todos eles em parceria com a sociedade civil organizada, governos estaduais e/ou municipais. As diferentes iniciativas incluem a oferta de linhas de financiamento específica para subsidiar a compra de computadores de uso doméstico por pessoas de baixa renda, reciclagem de computadores descartados para serem destinados a iniciativas de inclusão digital, instalação de telecentros voltados para diferentes segmentos da sociedade – zonas rurais, grandes centros urbanos, micro e pequenos empresários, como também o levantamento de todas as iniciativas de inclusão digital em curso no país.
[bom, pra quem não sabe, o tema do meu TFG é um Centro para Inclusão Digital e Cultura no Subúrbio. E essa é uma parte do meu dossiê. Estou fazendo na verdade uma espécie de backup e testdrive pra poder saber se é isso mesmo o que eu quero... então é isso e até a próxima...]

"... o gosto pelo silêncio da imagem..."

Frase e foto de Cecília de Dores do Indaiá

sábado, 20 de junho de 2009

Referências Parte II - Médiateca de Sendai

Bem, continuando a série "Referências" , depois de uma curta passagem pelo design, hoje posto sobre a Médiateca de Sendai - Japão de Toyo Ito. Consebido para ser um espaço múltiplo, a Médiateca tem um programa bem fluido estruturado em pavimentos que agrupam atividades a serem realizadas, coletiva ou individualmente, além dos espaços para contemplação. A edificação possui desenho do Ito. Porém cada pavimento tem ambientação de um arquiteto diferente, para dar maior força ao conceito de diversidade.


As fachadas do edifício são formadas por panos de vidro transparente que permitem tanto uma visualização total das atividades realizadas internamente ao prédio, quanto o movimento na rua, com troca contínua de informações interior x exterior.


O pavimento térreo é marcado por um salão com pé direito duplo, com uma parede onde são projetados continuamente filmes e outras atrações. Este andar abriga também um café e uma loja.
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A estrutura do edifício é composta por um sistema escultural de tubos treliçados de aço, que além da função estrutural, servem de vetor de luz para os andares, condução de redes e sistemas, comunicação e mobilidade vertical através de elevadores e escadas.


Cada eixo vertical varia de diâmetro e é independente da fachada, permitindo uma planta mais livre.


O programa da médiateca é composta basicamente de espaço sociais com salão de informações e eventos, cafeteria, sala com acesso a internet, biblioteca, galeria para exposições, biblioteca multimídia, cinema e administração, divididos em 6 pavimentos.


É bem bacana esse edifício, não só pela identificação com seu programa e sua função, mas também pela sua vivacidade... ele é como um organismo vivo acontecendo o tempo todo, a transparência confere uma fluidez bastante interessante, o seu diálogo com o entorno, enfim, um edifício completo.
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Detalhe da estrutura do edifício.
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Mais uma referência para o meu TFG, na verdade estou com uma agustia muito grande dentro de mim pois não sei como fazer... tenho um terreno num lugar fantástico, porém com um entorno muito degradado. Não dá pra mudar tudo, não dá pra fechar os olhos, mas também não dá pra ser igual... precisa ser diferente... na verdade é quase que um compromisso social, uma forma de dizer que é possível uma arquitetura de qualidade no subúrbio, porém sem que ela afaste ou iniba a quem lhe é de direito... é isso... mas vamos chegar lá... estamos chegando como diz minha orientadora. da próxima vez vou postar sobre o local do meu projeto, só que preciso ir lá oficialmente... breve, muito dentro em breve...

Beijos a quem aparecer e até a próxima...

segunda-feira, 15 de junho de 2009

Selo!

Ganhei esse selo de uma amiga para o meu outro blog e acabei transferindo ele pra cá também... afinal no fundo no fundo é tudo a mesma coisa... então... parabéns pra mim... parabéns para os blogs que eu indiquei, espero que eles gostem... e é isso!!! vamo que vamo e sorte a quem passar por aqui...

Aí vai a lista dos ganhadores:

1. Morena do Cabelo cacheado (http://morenadocabelocacheado.blogspot.com/)
2. Guto respi (http://gutorespi.blogspot.com/)
3. Mateus (http://mateussz.blogspot.com/)
4. Mari Mari (http://brincandocasinha.blogspot.com/)
5. Gibran (http://arquifatus.wordpress.com/)
6. Luciana (http://lucianamurta.wordpress.com/)
7. Raquel (http://fabricademoda.blogspot.com/)
8. Angelina vai as compras (http://angelinavaiascompras.blogspot.com/)
9. Chria (http://sweetblogchria.com.br/)
10 . Eu! (http://arquitecturamovel.blogspot.com/)

... e as regras:

1. Exibir a imagem do selo "Olha que Blog maneiro";
2. Postar o link do blog que nos premiou;
3. Indicar 10 blogs da nossa preferência;
4. Avisar os premiados;
5. Publicar as regras;
6.Conferir se os blogs indicados (isto é,que nos premiaram) passaram o selo e as regras;
7. Enviar uma fotografia nossa ou de um(a) amigo (a) para olhaquemaneiro@gmail.com juntamente com os 10 links dos blogs indicados para verificação (caso os blogs tenham indicado o selo e as regras corretamente dentro de alguns dias você recebera uma caricatura em P&B).



sexta-feira, 12 de junho de 2009

+ design


Por que será que arquiteto tem fixação por cadeiras e poltronas? Se bem que meu pai também tem isso e ele de arquiteto não tem nada... sendo eu arquiteta e talvez herdado isso dele, já viu... danou-se!!! A-do-ro cadeiras, poltronas e afins... e quanto mais estilosa melhor.[até então nenhuma novidade né???]

Pois então... ainda na fase designer de ser, achei hoje uns móveis ecologicamente corretos que foram expostos numa mostra paralela ao 48ºSalão do Móvel de Milão. A imagem acima, a Poltrona Kioto, tem design nacional! \o/ Quem assina é Robson Oliveira, presidente do Eubra, entidade filantrópica que auxilia comunidades carentes através de desenvolvimento sustentável.
A poltrona, inspirada em conceitos de sustentabilidade, é produzida por pequenos artesãos e marceneiros das cooperativas da Eubra e utiliza restos de madeira da região Norte e Nordeste.

Uma coleção denominada Paisagem Brasileira reuniu diversos designers brasileiros em prol desta causa. O resultado são peças interessantes que vão desde luminárias a banquetas e porta cd's, todos utilizando matérias primas renováveis e materiais descartados ou reciclados.

A Cocar, luminária criada pelo estilista e designer Jum Nakao, intercala madeira com retalhos de vidro utilizando LEDs, lâmpadas de baixo consumo energético, e energia solar alternadas. Em sua produção atual, o autor ressalta a importância da reflexão sobre o processo de criação do produto, em detrimento do material que está sendo usado.

Achado!

Já tinha publicado a imagem acima num outro post falando sobre uma palestra onde conheci o conceito de Hotel Boutique. A imagem tras uma poltrona linda que faz parte da decoração do hotel. Ontem, nas minhas incursões pelo design mobiliário descobri quem a desenhou, fiquei frustrada, achei que era produto nacional...

Pelo menos agora o mistério está desvendado: a poltrona se chama "Costela" e é desenho de Martin Eisler. Não consegui achar nada relevante sobre ele na net...

quinta-feira, 11 de junho de 2009

Mobiliário nacional


Esta semana conheci uma loja de móveis de design através de um email de lá do escritório. A Etel móveis de luxo, muito bacana a proposta dela. Móveis em madeiras brasileiras certificadas e com designes brasileiros, bem bacanas... conheci também o arquiteto e designer de móveis Jorge Zalszupin. Ele nasceu na Polônia, passou por alguns países como França e Itália e acabou adotando o Brasil como pátria. Foi um importante nome no design durante o movimento moderno. Fundou a L'atelier, uma empresa de móveis que inicialmente começou com uma produção artesanal feita sob encomenda para seus clientes, isso nos idos de 1950, depois começou a produzir pequenas séries de móveis até que lançou peças que até hoje são reproduzidas e comercializáveis como a poltrona dinamarquesa da foto acima. Outra descoberta foi o lado designer no Isay Weinfeld, como sempre de muito bom gosto. Gosto do trabalho dele. É um arquiteto sensato, gosto do processo projetual dele e da linguagem plástica de suas obras também... enfim... Daí comecei a procurar várias coisinhas sobre design de mobiliário, inclusive acho um absurdo a gente não dar esse tipo de matéria na faculdade, como várias outras coisas que deveríamos ver e não vimos, mas enfim... como eu descobri com o passar dos anos, nossa formação é a gente quem faz, a minha não foi lá essas coisas não mas ainda está em tempo...
então é isso... bola pra frente e bastate design pra todo mundo....

terça-feira, 9 de junho de 2009

INTErvenção INTEligente INTEressante

poxa vida, os tempos andam bem difíceis... não consigo fazer mais nada quando chego em casa de noite, no máximo olhar uns e-mais, ver o que está acontecendo por aí... nem tempo pra postar mais eu tive, muito ruim...
Então, chegou outro dia no meu e-mail, uma reportagem de um trabalho de intervenção em um edifício não tombado no centro de São Paulo. Bem bacana a proposta do escritório Libeskindllovet Arquitetos [inclusive é a sede deles] de respeitar o pré-existente independente de a edificação ser ou não tombada, ou possuir algum valor histórico ou arquitetônico relevante. Chamam bastante atenção, algumas soluções bem interessantes para aproveitamento de níveis itermediários e criação de novos espaços. O programa é simples, que compreende o escritório propriamente dito, uma oficina de design e uma cozinha experimental, numa linguagem bem despojada, super prática e contemporânea. Além do que, acho muito legal também essas incursões que a arquitetura consegue fazer por ourtros ramos da arte sabe, torna o profissional polivalente...
Isso me faz lembrar uma crônica que li outro dia desses do Sérgio Teperman sobre como a arquitetura tinha uma relação com a sociedade muito diferente da que temos hoje. Do tempo, isso diga-se de passagem, bem antes das "écoles des beaux arts" francesas, de onde arquitetura, engenharia, escultura, carpintaria [sim, marcenaria é um termo bem recente!], etc, faziam parte do currículo desse profissional que além de técnico era um artista, que detinha domínio sobre várias veretentes do conhecimento de sua época e que passava muito mais tempo no canteiro do obras, experimentando...
Sim, experientar é preciso, testar novas possibilidades, abrir novos caminhos, novos rumos, enfim... qual era o propósito mesmo deste post? ...já não lembro mais... mas fica aí o projeto do armazém como fonte de inspiração, ficam nas minhas idéias algumas possibilidades e finalmente, fico sem a dor de nunca mais ter colocado no ar nada de interessante.
Abaixo as imagens do escritório.



terça-feira, 2 de junho de 2009

Referências Parte I - "origens"


Então, pretendo começar hoje a série de referências para o meu TFG. O primeiro, não poderia ser outro se não a inspiração inicial para o meu tema. É o Centro de Inclusão Digital para o Ensino Fundamental, situado em São Caetano do Sul, São Paulo.

O lote do edifício fica localizado numa praça que anteriormente era sub-utilizada pela prefeitura e também, pela população. Projeto do JAA Arquitetura e consultoria, possui um programa básico que compreende uma escola de informática, uma praça com palco e espelho d'agua, telecentro, bibliotecas física e virtual, além de salas de leitura e terraço.

Esse projeto é bastante interessante, pois além de conciliar inclusão digital (uma questão atualmente tão importante) com a revitalização da praça tornando-a um espaço público pólo gerador de cultura, ele deu uma nova identidade ao local, tornando-se um edifício de referência arquitetônica local.


peripécias desimportantes...

sabe daqueles dias em que se fica de bobeira sasaricando no "próximo blog"? como se eu não tivesse mais nada na vida pra fazer... doce ilusão... minha chefa e minha orientadora que saibam disso... tisk tisk...

pois, em "próximo blog" achei coisinhas bem interessantes hoje... valeu a pena ter perdido um pouco do sono esperando o esmalte secar...


pronto, parêntese fechado, voltemos a arquitetura séria!... hum... só amanhã tá legal?!